Cases & Experiência

Case: Due Diligence para Investidor Americano em Projeto de Carbono

Due diligence fundiária e ambiental para investidor americano em projeto de carbono no interior de São Paulo.

15+

Anos no Brasil

OAB

1º americano aprovado

USC

LL.M. em Direito Internacional

EN/PT

Totalmente bilíngue

Conduzimos due diligence jurídica completa de 8 semanas para fundo de impacto americano avaliando investimento de US$ 4 milhões em projeto REDD+ no Mato Grosso do Sul. Identificamos 3 problemas críticos que poderiam inviabilizar o investimento. Com base em nossas recomendações, o fundo renegociou os termos, reestruturou a holding e fechou o investimento com segurança jurídica.

Contexto da Operação

ItemDetalhe
InvestidorFundo de impacto sediado em Nova York (US$ 200 mi AUM)
Investimento propostoUS$ 4 milhões (equity em SPV brasileira)
ProjetoREDD+ em área de Cerrado/Mata Atlântica (MS)
Área8.500 hectares
Volume estimado120.000 tCO2e/ano
CertificaçãoVerra VCS
SPV existenteLTDA com 100% de capital estrangeiro (holding em Delaware)
Prazo da DD8 semanas

Qual Foi o Escopo da Due Diligence?

Dividimos a DD em 6 pilares:

PilarEscopoHoras
1. FundiárioCadeia dominial, matrícula, CCIR, CAR, sobreposições80
2. AmbientalLicenças, IBAMA, reserva legal, APP, passivos60
3. ContratualERPA, contratos de gestão, acordos com comunidades50
4. SocietárioEstrutura corporativa, atos constitutivos, procurações40
5. TributárioRegime fiscal, transfer pricing, obrigações acessórias40
6. RegulatórioBACEN, INCRA, CVM, compliance30
Total300 horas

Quais Problemas Foram Identificados?

Problema 1: Exposição à Lei 5.709/1971 (CRÍTICO)

A SPV existente era uma LTDA com 100% de capital detido por holding em Delaware (EUA). Isso a equiparava a empresa estrangeira para fins da Lei 5.709/1971 (veja restrições fundiárias).

ConstataçãoRisco
SPV possuía 2 imóveis rurais em seu nomeAquisição irregular — não havia autorização INCRA
Área total: 3.200 ha (acima de 50 MEI para a região)Necessidade de decreto presidencial
Registro em cartório sem anotação de estrangeiroNulidade da aquisição

Risco: cancelamento do registro imobiliário, perda da base fundiária do projeto, inviabilização de créditos.

Recomendação: reestruturar a holding para que a participação estrangeira ficasse ≤ 50%, ou transferir os imóveis para os proprietários originais e celebrar contrato de direito de superfície.

Problema 2: ERPA com Cláusula de Change-of-Law Desfavorável (ALTO)

O ERPA existente entre a SPV e um trader europeu continha cláusula de change-of-law que:

  • Atribuía 100% do custo de mudança legislativa ao vendedor (SPV)
  • Incluía reforma tributária como evento de change-of-law
  • Não previa direito de renegociação, apenas rescisão

Risco: com a possível tributação de IBS/CBS sobre créditos de carbono a partir de 2026 (alíquota estimada de 26,5%), o projeto perderia viabilidade econômica sem possibilidade de renegociação.

Recomendação: renegociar para compartilhamento 50/50 do custo de change-of-law + direito de renegociação + cap de 15% do preço.

Problema 3: Ausência de Registro BACEN (ALTO)

O investimento original da holding americana (US$ 2,5 milhões) não havia sido registrado no SCE-IED do BACEN. A remessa foi feita via conta de pessoa física do administrador brasileiro.

ConsequênciaValor
Multa BACEN por falta de registroR$ 25.000–250.000
Impossibilidade de repatriar lucros regularmenteBloqueio de remessa
Risco de reclassificação como operação irregularAté 100% do valor
Exposição a transfer pricingAjuste na base IRPJ/CSLL

Recomendação: regularizar o registro retroativamente (possível com multa reduzida) + registrar o novo investimento de US$ 4 milhões antes da remessa.

Outros Achados Relevantes

ItemStatusRisco
CAR dos imóveisAtualizadoBaixo
Reserva legalCompliance (20% Cerrado)Baixo
Passivo ambientalNenhum identificadoBaixo
Certificação VerraVálida (VM0015)Médio (metodologia antiga)
Contratos com comunidadesInexistentes (área sem comunidades tradicionais)Baixo
Inventário GHGDesatualizado (2022)Médio
Seguro ambientalInexistenteMédio
TributaçãoLucro presumido (presunção 32%)Baixo

Como o Investimento Foi Reestruturado?

Com base em nossas recomendações, o fundo tomou as seguintes medidas:

Reestruturação Societária

  1. Inclusão de sócio brasileiro na SPV (51% brasileiro / 49% fundo americano)
  2. Transferência dos imóveis para os proprietários originais
  3. Celebração de contratos de direito de superfície (30 anos) entre proprietários e SPV
  4. Acordo de sócios com proteções de minoritário (JV)

Renegociação do ERPA

  1. Cláusula de change-of-law: 50/50 com cap de 15% sobre preço
  2. Direito de renegociação a cada 5 anos
  3. Atualização da metodologia para VM0048 (baseline mais conservador)

Regularização BACEN

  1. Registro retroativo do investimento original (US$ 2,5 mi) com multa de R$ 35.000
  2. Registro prévio do novo investimento (US$ 4 mi) antes da remessa
  3. Implementação de rotina de compliance cambial trimestral

Ajuste de Preço

O fundo negociou redução de 15% no preço da participação, refletindo os custos de reestruturação e os riscos identificados. Valor final do investimento: US$ 3,4 milhões (vs. US$ 4 milhões originais).

Resultado Final

IndicadorValor
Prazo da DD8 semanas
Problemas críticos identificados3
Investimento finalUS$ 3,4 milhões
Economia para o fundoUS$ 600.000 (ajuste de preço)
Custos evitados (multas, litígios)Estimados em R$ 2+ milhões
Honorários DDR$ 120.000
ROI da DD15x (economia / honorários)

O investimento foi concluído em outubro de 2024 e o projeto segue operando normalmente, com a primeira verificação sob VM0048 prevista para 2026.

Lições Aprendidas

  1. DD jurídica é investimento, não custo: os R$ 120.000 de honorários evitaram R$ 2+ milhões em exposição
  2. Lei 5.709 é armadilha comum para investidores estrangeiros que não assessoram antes de investir
  3. Registro BACEN não pode ser ignorado: a regularização tardia é possível mas onerosa
  4. ERPA deve ser revisado antes do investimento: cláusulas desfavoráveis são negociáveis, mas apenas antes do aporte
  5. Metodologias de carbono mudam: o investidor deve exigir atualização para padrões vigentes

“Due diligence jurídica rigorosa é a base de qualquer investimento seguro no mercado de carbono brasileiro.” — ZS Advogados

Por que a ZS Advogados para Due Diligence?

Este case demonstra o diferencial da ZS Advogados: Zac Zagol (OAB/SP 351.356), advogado brasileiro-americano, conduziu a DD em comunicação direta com o fundo (em inglês) e com as partes brasileiras (em português), sem necessidade de tradutor ou intermediário. Essa ponte cultural e jurídica é essencial para operações cross-border.

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