Zac com sua família brasileira em São Paulo, rodeado por amigos e comunidade
Minha Jornada 11 min de leitura

Por Que Escolhi Ficar no Brasil (E Não Voltar para os EUA)

Atualizado em:

O Ponto de Decisão

Havia um momento em minha vida onde tive que fazer uma escolha real. Não hipotética. Real.

Tinha passado na OAB. Era advogado registrado. Tinha experiência. Minha mãe, nos Estados Unidos, dizia: “Você conseguiu. Você provou que podia. Agora volta para cá. Vamos construir uma vida melhor.”

Meu pai oferecia oportunidades. Universidades americanas que queriam um advogado. Escritórios em Nova York, São Francisco, Boston.

Aquele Mustang azul que eu tinha vendido, poderia ser recomprado. Tudo aquilo que deixei para trás poderia ser recuperado.

Tudo que tinha fazer era dizer “sim.”

O Que Significa Lar

Mas acontece que você não pode desaprender o amor.

Lar não é um lugar que seu passaporte diz. Lar é onde seus filhos brincam. É onde sua esposa faz café no fim de semana. É onde seus amigos te chamam para churrasco. É onde você conhece o gerente do banco pelo nome. É onde uma criança na rua diz “oi, advogado!”

Isso é lar.

Quando estava considerando voltar, passei uma semana visitando a América. Visitei minha família. Fui a cidades que tinha amado. Dirigi em uma rodovia americana. Comi no tipo de restaurante que comia quando criança.

E percebi algo: era tudo muito… pequenininho.

Não estou sendo sarcástico. A América é grande. É vasta. É desenvolvida. Mas para mim, tinha ficado pequena. Minhas ambições tinham crescido para além daquilo.

No Brasil, sentia possibilidade. Sentia que o mundo era maior.

Sobre Minha Família

Minha esposa é brasileira. Meu filho é brasileiro. Meus filhos são brasileiros. Nesse momento, o Brasil é nosso lar — e estamos felizes aqui.

Meu filho nasceu em São Paulo. Fala português como língua nativa. Está crescendo cercado por avós, tios, primos e uma comunidade que o ama. Isso é algo lindo e raro.

Minha família brasileira — a família da minha esposa — tornou-se minha família. Seus pais são meus pais. Seus irmãos são meus irmãos. Quando há problema em uma festa de família, aí estou eu. Quando há celebração, estou lá também.

Mas o negócio é o seguinte: o mundo é grande. E uma das maiores coisas que você pode dar pra sua família é a experiência de viver em culturas diferentes. Quem sabe um ano na Itália. Quem sabe uma temporada no Canadá. Talvez um lugar que a gente nem pensou ainda.

Acredito que esse tipo de experiência fortalece a família. Meus filhos vão crescer sabendo que lar não é só um lugar — é onde sua família está, onde você constrói algo significativo. Essa é a lição que a imigração me ensinou, e é a mesma lição que quero passar pra eles.

Nesse momento, estamos escolhendo o Brasil. Mas a porta está sempre aberta. E essa liberdade — a liberdade de escolher — é o que torna essa vida tão especial.

Sobre As Oportunidades

A verdade é que não necessitava voltar para ter sucesso profissional. Consegui sucesso no Brasil. Construir um escritório. Ganhar respeito. Ter clientes que confiam em mim.

Os Estados Unidos oferecia mais dinheiro talvez. Mais prestígio em certos círculos. Mas oferecia também mais competição, mais stress, mais isolamento.

No Brasil, tinha construído algo que era único. Uma prática que era minha. Relacionamentos que eram genuínos. Uma reputação que era ganha, não herdada.

Por que trocar por um re-boot de zero em um país que já era meu passado?

Sobre a Qualidade de Vida

Entendia que Brasil não é perfeito. Há criminalidade, há burocracia, há desigualdade.

Mas também há algo que os Estados Unidos tinha perdido: conexão. Comunidade. Tempo com a família.

Nos Estados Unidos, você trabalha. Trabalha muito. Você vem em casa, vê sua família por uma hora, depois dorme, depois acorda e volta ao trabalho.

No Brasil, o trabalho é importante, mas não é tudo. Você vai ao churrasco de domingo. Você fica em casa na sexta à noite. Você toma um café com um amigo e fica horas conversando.

Você vive.

Minha mãe, depois de alguns anos visitando o Brasil, entendeu. “Você está certo,” disse-me uma vez. “Aqui na América, todo mundo está ocupado demais para viver. Lá no Brasil, vocês vivem.”

O Momento Final

Minha mãe era uma mulher independente, forte. Queria-me perto. Queria que eu fosse “bem-sucedido” (pela definição dela — grande casa, grande carro, grande carreira).

Alguns anos depois que recusei voltar, ela veio passar três meses no Brasil comigo. Viu meu escritório. Viu como minhas clientes me tratavam. Viu como minha família brasileira me abraçava. Viu meu filho — seu neto — ser amado e respeitado por uma comunidade inteira.

“Você tem sucesso,” ela disse. “Apenas um tipo diferente.”

E ela voltou para a América em paz.

A Decisão Final

Escolhi ficar porque o Brasil é meu lar. Não por papéis. Não por lei. Por amor.

Escolhi ficar porque minha família está aqui. Porque meu filho é brasileiro. Porque meus amigos são brasileiros. Porque ninguém pode tirar a vida que construímos.

Escolhi ficar porque entendia, finalmente, o que meus amigos brasileiros me tinham ensinado desde aquele primeiro dia em Presidente Prudente: que vida é para viver. Não para acumular.

E viver é exatamente o que faço aqui.

Para Quem Está Considerando Vir ou Ficar

Se você está contemplando vir ao Brasil, saiba que é possível fazer uma vida aqui. Uma vida boa. Uma vida significativa.

Se você está aqui e considerando voltar para seu país de origem, entendo o dilema. Há saudade. Há falta. Há memórias.

Mas saiba também que há vida aqui. Há comunidade. Há amor.

Às vezes você tem que deixar ir o que era para abraçar o que é.

Se você está fazendo essa jornada — vindo ao Brasil, considerando ficar, construindo uma vida aqui — ZS Advogados entende não só a lei, mas a vida. Porque a vida é o que importa. Estou aqui para ajudar com a lei de forma que você possa viver.


Aí estou eu, ao fim dessa jornada de histórias. Um americano que veio aos 18 anos, aprendeu a língua, foi à faculdade, passou na OAB, abriu um negócio, dançou samba no Carnaval, e escolheu ficar.

Minha mãe ainda quer que eu volte. De vez em quando ela pergunta. Eu sorrio e digo: “Mãe, estou em casa.”

E é verdade.


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Este artigo tem carater informativo e nao substitui consulta juridica individualizada. Cada caso possui particularidades que devem ser analisadas por um advogado.

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Zachariah Zagol

Zachariah Zagol

Advogado — OAB/SP 351.356

Socio fundador do ZS Advogados. Advogado americano inscrito na OAB/SP (351.356) com LL.M. da USC e mais de 15 anos de experiencia no Brasil.

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