Zac em traje elaborado de Carnaval, prestes a entrar na avenida em São Paulo
Minha Jornada 11 min de leitura

Sambando na Avenida: Um Americano Numa Escola de Samba

Atualizado em:

O Convite

Minha esposa é brasileira, nascida e criada. E ela amava Carnaval. Mas não do jeito que turistas amam — como espectadora. Ela queria participar. Ela queria sambar na avenida, em uma escola de samba de verdade, durante o Carnaval de São Paulo.

“Você quer vir comigo?” perguntou um dia.

Eu havia ouvido sobre Carnaval. Mas “ouvir” e “viver” são dois universos diferentes.

“Claro,” respondi, sem saber no que estava me metendo.

Conhecendo a Escola

Fomos a uma reunião em uma das escolas de samba de São Paulo. Lá, expliquei que era americano, que nunca tinha feito isso, que nem sabia samba de verdade.

Foram incrivelmente receptivos. “Americano? Bem, bem, bem! Vem dançar com a gente!”

A escola de samba é uma comunidade. Não é uma instituição distante — é vizinhos, amigos, famílias. Pessoas que se conhecem há décadas. Pessoas que trabalham juntas o ano inteiro para preparar uma apresentação que dura apenas alguns minutos na avenida.

Aprendemos sobre o “enredo” — o tema. Aquele ano era uma história específica sobre a cultura brasileira, misturando história, dança, e mito. Havia uma narrativa. Havia significado.

Fui aos ensaios. Dançava. Aprendi os passos básicos de samba. Meus pés não eram naturais — era óbvio que eu não nasci dançando. Mas as pessoas riam comigo, não de mim.

“Americano dança mal mas tem coragem,” alguém brincou.

Eu aceitei.

O Traje

O traje é… é impossível descrever. É enorme. É pesado. É ornado. Tem plumas, tem cristais, tem cores que você não sabia que existiam.

Minha esposa usava algo ainda mais elaborado — um traje que pesava quase 30 quilos. Como ela ia dançar naquilo?

“Você fica em pé e se move,” ela explicou. “A música leva você.”

Colocamos os trajes na noite de carnaval. Estava suando só de vestir. E tínhamos que dançar por horas naquilo.

Demos uma volta. Vimos a comunidade reunida. Famílias inteiras — avós, mães, crianças. Todos em trajes igualmente elaborados. Todos esperando.

A Avenida

Subimos em um ônibus — é assim que você vai de um local de concentração para a avenida. Viajamos juntos, esperando. Havia uma fila. Ônibus após ônibus de escolas diferentes, cada uma esperando sua vez.

Quando finalmente chegou nossa hora, o ônibus parou. Descemos. Ficamos em posição. Pratiquei a sequência em minha mente — passo à direita, movimento do quadril, giro, sorrir.

As portas se abriram.

E lá estava: A Avenida.

As luzes cegantes. A multidão gritando. Estavas em pé — centenas de pessoas em pé nas arquibancadas, do lado da rua, em sacadas de prédios. Todos observando. Todos esperando.

A música começou.

O Momento

Aquela música — não é como ouvir em casa. É física. Entra em seu corpo. Você não só ouve — você sente em seu peito. Sente na sua espinha. Sente em cada célula.

Começamos a andar. A comunidade da escola de samba, centenas de nós, movendo-se como um organismo único. O samba não é movimento individual — é movimento coletivo. Você está conectado à pessoa ao seu lado, à pessoa atrás, à pessoa na frente.

Eu dançava. Meus passos não eram perfeitos, mas estava dançando. Estava respirando ar de Carnaval. Estava em parte de algo que era maior que eu.

E então percebi: essa é a essência do Brasil que amo.

Não é sobre ser perfeito. É sobre aparecer. É sobre estar junto com pessoas. É sobre criar alegria não por dinheiro, não por obrigação, mas por pura celebração de estar vivo.

As multidões gritavam. Gritavam nossos nomes, apesar de não nos conhecerem. Gritavam porque o samba é contagiante. Porque a alegria é contagiante.

Olhei para minha esposa. Ela sorriu. Naquele momento, em um traje que pesava 30 quilos, dançando em uma avenida em São Paulo, em frente a milhares de pessoas, ela era mais feliz que jamais a tinha visto.

A Comunidade Por Trás

O que mais impressionou foi descobrir o quanto de trabalho havia por trás daqueles minutos de apresentação.

A escola de samba funciona o ano inteiro. Há ensaios. Há confecção de trajes — mulheres costuram à mão. Há criação de danças, de músicas, de histórias. Há reuniões, há discussões, há debates sobre qual será o enredo do próximo ano.

E tudo isso é voluntário. Ninguém é pago para fazer samba. Fazem porque amam. Porque é parte de quem eles são.

Quando voltei do Carnaval, estava diferente. Vi a Universidade Toledo diferente. Vi os amigos brasileiros diferente. Vi o Brasil diferente.

Porque tinha experimentado algo que não é apenas diversão — é uma declaração cultural. É uma forma de dizer “nós existimos, nossa história importa, nossa alegria importa.”

Reflexão Profunda

Alguns dizem que Carnaval é brinquedo, é distração, é escapismo. E para alguns, talvez seja. Mas quando você está dentro — quando você é parte daquela comunidade — você entende que é muito mais.

É um lugar onde classe social desaparece. Onde você trabalha lado a lado com um executivo, um pedreiro, um aposentado, uma criança. Todos dançando. Todos celebrando.

É Brasil no seu melhor. Desorganizado às vezes, caótico muitas vezes, mas genuinamente feliz. Genuinamente conectado.

Naquele Carnaval, passei de ser um observador do Brasil para ser parte do Brasil.


O Que Aprendi

Muitos imigrantes chegam ao Brasil e observam a cultura de longe. Aprendem português. Trabalham. Vivem.

Mas há momentos em que você pode ser parte da cultura, não apenas observador dela. Esses momentos são sagrados.

Carnaval me deu isso. Minha esposa me deu isso. A escola de samba me deu isso.

E consolidou minha decisão: eu nunca deixaria o Brasil.

Se você está chegando ao Brasil ou já está aqui mas sente distante da cultura, saiba que há maneiras de participar. Há comunidades que a abrirão os braços. ZS Advogados compreende isso. Não somos apenas advogados — somos parte dessa comunidade. Podemos ajudá-lo a encontrar seu lugar aqui.


Leitura Relacionada


Este artigo tem carater informativo e nao substitui consulta juridica individualizada. Cada caso possui particularidades que devem ser analisadas por um advogado.

personal-storycarnivalsambabrazilian-culturecelebration
Karina Peres Silverio

Karina Peres Silverio

Advogada — OAB/SP 331.050

Socio fundador do ZS Advogados. Advogado americano inscrito na OAB/SP (351.356) com LL.M. da USC e mais de 15 anos de experiencia no Brasil.

Conheca a equipe →

Artigos Relacionados