Contratos & ERPA

Joint Venture para Projetos de Carbono: Estruturação e Cláusulas

Estruturação de JV entre proprietários rurais e desenvolvedores de carbono. Benefit-sharing e governança.

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A joint venture (JV) é o modelo contratual predominante no mercado de carbono brasileiro, unindo proprietário rural (terra e acesso) e desenvolvedor (capital, tecnologia e mercado). A divisão típica é 60-70% para o proprietário e 30-40% para o desenvolvedor, mas varia conforme quem arca com os custos de certificação e quem assume o risco de mercado.

Quais São os Modelos de Joint Venture para Carbono?

Existem dois modelos estruturais principais:

JV Contratual (Sem Nova Pessoa Jurídica)

CaracterísticaDetalhe
InstrumentoContrato de cooperação + ERPA
Nova PJNão
RegistroCartório de Títulos e Documentos
Custo de constituiçãoR$ 15.000–30.000 (honorários)
TributaçãoCada parte tributa sua parcela individualmente
GovernançaComitê de gestão previsto no contrato
Prazo15–30 anos

JV Societária (Nova SPV)

CaracterísticaDetalhe
InstrumentoContrato social + Acordo de sócios
Nova PJSim (LTDA ou S.A.)
RegistroJunta Comercial + Cartório
Custo de constituiçãoR$ 25.000–60.000
TributaçãoSPV tributa e distribui lucros
GovernançaContrato social + Acordo de sócios
PrazoIndeterminado (com cláusula de saída)

Dado: aproximadamente 55% das JVs de carbono no Brasil utilizam o modelo contratual e 45% o modelo societário (ABCM, 2025). Para projetos com investidor estrangeiro, a JV societária é preferida por oferecer maior segurança jurídica e facilitar o registro no BACEN.

Como Funciona o Benefit-Sharing?

A divisão de receitas (benefit-sharing) é o ponto mais negociado em JVs de carbono:

ModeloProprietário ruralDesenvolvedorQuando usar
Revenue share simples60-70%30-40%Desenvolvedor financia 100%
Revenue share com pisoMín. R$ 500/ha/ano + 50% acima50% acima do pisoProprietário quer renda mínima
Profit share (após custos)50% do lucro líquido50% do lucro líquidoCustos compartilhados
Royalty fixoR$ 800–1.500/ha/ano (fixo)100% dos créditos - royaltyProprietário avesso a risco
Escalonado50% (anos 1-5) → 70% (anos 6+)50% → 30%Desenvolvedor recupera investimento inicial

Exemplo numérico (projeto de reflorestamento, 1.000 ha):

ItemValor anual estimado
Geração estimada12.000 tCO2e/ano
Preço médioR$ 80/tCO2e
Receita brutaR$ 960.000/ano
Custos operacionais (MRV, manutenção)R$ 180.000/ano
Receita líquidaR$ 780.000/ano
Proprietário (65%)R$ 507.000/ano (R$ 507/ha)
Desenvolvedor (35%)R$ 273.000/ano

Para entender o valor dos créditos, consulte quanto vale um crédito de carbono.

Quais Cláusulas São Essenciais em uma JV de Carbono?

Governança e Decisões

Tipo de decisãoQuórum recomendado
Operacional (dia a dia)Administrador designado
Comercial (venda de créditos)Ambas as partes
Financeira (investimento > R$ 100.000)Unanimidade
Estratégica (novo parceiro, cessão)Unanimidade
Impasse (deadlock)Mediação → arbitragem

Obrigações do Proprietário Rural

  1. Manter o CAR e regularidade ambiental (consulte regularização CAR)
  2. Garantir acesso à propriedade para monitoramento e verificação
  3. Não realizar atividades que comprometam o projeto (desmatamento, fogo, uso de agrotóxicos em área do projeto)
  4. Manter reserva legal e APP em conformidade com o Código Florestal
  5. Cooperar com processos de certificação

Obrigações do Desenvolvedor

  1. Financiar os custos de implementação e certificação
  2. Gerenciar o processo de certificação (Verra, Gold Standard)
  3. Comercializar os créditos e prestar contas ao proprietário
  4. Realizar MRV (Monitoramento, Reporte e Verificação)
  5. Manter seguro ambiental (quando aplicável)

Cláusulas de Proteção

CláusulaProtege
Anti-diluiçãoProprietário (contra entrada de novos sócios)
Direito de preferênciaAmbos (na cessão de participação)
Tag-alongMinoritário (direito de vender junto)
Drag-alongMajoritário (direito de forçar venda conjunta)
Não-competição (raio de 50 km)Desenvolvedor (contra projetos concorrentes)
Auditoria independenteProprietário (transparência financeira)
Cláusula de renegociação (a cada 5 anos)Ambos (ajuste a condições de mercado)

Quais São os Riscos Específicos de JVs de Carbono?

RiscoMitigação
Proprietário vende a fazendaCláusula de sub-rogação (comprador assume obrigações da JV)
Desenvolvedor abandona o projetoGarantia financeira (seguro-performance ou carta de crédito)
Desavença sobre preço de vendaPreço benchmark (CBL, B3) como referência contratual
Invasão da propriedade (MST, grilagem)Seguro + cláusula de force majeure
Mudança legislativaCláusula de change of law com revisão automática
GreenwashingCertificação de terceira parte + auditoria anual
Falecimento do proprietárioCláusula sucessória (herdeiros assumem)
Restrição fundiária (Lei 5.709)Participação estrangeira ≤ 50% na SPV

Como Funciona a Saída da JV?

As cláusulas de saída devem prever cenários de término antes do prazo:

CenárioMecanismo
Saída voluntária do proprietárioPut option: vende participação ao desenvolvedor pelo valor justo
Saída voluntária do desenvolvedorCall option: proprietário compra participação + treinamento de transição
Acordo mútuoDissolução amigável com divisão de ativos e créditos remanescentes
Inadimplência graveExclusão do inadimplente + direito à participação residual
Venda a terceiroDireito de preferência da outra parte

Avaliação (valuation): o valor da participação deve ser calculado pelo fluxo de caixa descontado (DCF) dos créditos futuros estimados + valor dos créditos em estoque. Taxa de desconto de referência: 12-15% para projetos de carbono no Brasil.

FAQ — Joint Ventures de Carbono

Proprietário rural precisa investir dinheiro na JV?

Não necessariamente. Na maioria das JVs, o desenvolvedor financia 100% dos custos (certificação, plantio/conservação, MRV). A contribuição do proprietário é o acesso à terra e o cumprimento das obrigações ambientais. Porém, JVs com co-investimento do proprietário geralmente oferecem divisão mais favorável (70-80%).

Quanto tempo leva para estruturar uma JV de carbono?

Da negociação inicial à assinatura: 2-4 meses. Da assinatura à primeira emissão de créditos: 12-24 meses (ARR) ou 18-36 meses (REDD+). Total até primeira receita: 14-40 meses.

JV contratual ou societária: qual é mais segura?

A JV societária (SPV) oferece maior proteção ao proprietário rural porque cria uma estrutura formal com governança definida. A JV contratual é mais simples e barata, mas depende mais da boa-fé entre as partes. Para projetos acima de R$ 5 milhões ou com investidor estrangeiro, a societária é recomendada.

O contrato de JV precisa ser registrado em cartório?

Sim. O registro no Cartório de Títulos e Documentos confere data certa e publicidade. Se a JV envolver direitos sobre imóvel rural (arrendamento, superfície), a averbação na matrícula do imóvel é obrigatória para proteção contra terceiros.

“A joint venture equilibrada protege tanto o proprietário rural quanto o desenvolvedor — o sucesso do projeto depende de ambos.” — ZS Advogados

Por que a ZS Advogados para Joint Ventures de Carbono?

A ZS Advogados, liderada por Zac Zagol (OAB/SP 351.356), estrutura JVs de carbono com foco na proteção do proprietário rural do interior de São Paulo. Baseados na região de Presidente Prudente, entendemos a realidade do agronegócio e negociamos termos equilibrados com desenvolvedores nacionais e internacionais.

Entre em contato para discussão sobre a estrutura ideal para sua JV ou consulte nossos honorários.

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